
Macabro é o prazer que eles cultivam em me inquietar, em perturbar minha alma com frases como de quem se importa. Como um bicho cativo me sinto cutucada por algo externo a jaula. Divirto-os!
Como louca me debato dentro de minha própria prisão - o corpo. Este que estranho sempre que reflete n'alguma superfície, fito encafifada a carcaça que sustenta a alma idosa desde que tenho consciência.
Tremo imaginado quando será a sessão seguinte de formigamento, essa agonia que apita quando dizem pensar, lembrar e pasmem: ''sentir minha falta''. Piada das boas!
São todos tão sádicos, mesmo os mais sinceros, mesmo os verdadeiros, todos cinicamente amáveis a troco de um trêmulo desassossego meu.Que há de ser o prazer em provocar o enrubescer de minha bochechas, ridicularizando minha face de outroras sofridas e doídas, plantando sementezinhas de afeto num coração já podre e impuro onde florescem um ou outro sentimento de caráter duvidoso.
Jogo bobo esse de acender mil velinhas finas e pretas pelo desejo doentio de apagá-las no instante seguinte, só pra ver no que dá!
1 comment:
Gosto da forma peculiar que você escreve, tão intensa e tão envolvente, as vezes até mesmo funesto.
Um beijo!
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