
Todo ano a mesma coisa. Chega a época de aniversário, chega o inferno astral, chega meu mau-humor infindável e a sensação de que será mais um péssimo, como praticamente todos os outros. Daí, me pego pensando em coisas que devem pensar quando se está no leito de morte. Cada aniversário é um ano a menos ou a mais de vida?
Mais uma primavera ou mais um inverno rigoroso,que é a vida e nunca acaba?
Não sei dizer, sei que sinto que começa quando percebo que é outubro. Precoce pra ser inferno astral, eu sei!
Mas sei que começa quando chega o aniversário de morte da pessoa mais humana e bondosa que conheci. Esse ano a Chris não ligou pra chorarmos juntas... Não sei porque. De repente ela percebeu que é bobagem todo o ritual que fazíamos todos os anos, todo mês de outubro, desde 2004. Eu preciso passar pela fossa costumeira sobre isso, por que sei que enquanto essa dor sangrar em mim, sinto que o Ju será eterno na minha memória. Só sinto que tenho que colocar minha saudade pra fora de algum jeito, então sento, lembro, choro e escrevo. Dessa vez com atraso, por aqui. Sinto culpa e remorso, mas nem cabe dizer isso, me martirizar não ajuda em nada.
Ter aquela parada super legal pra mostrar e não conseguir pensar em quem, se não nele, é uma sensação medonha. É como quando escrevo algo errado, leio, vejo que está errado mas não consigo identificar logo onde sem algum esforço que seja normal.
Descansa em paz, anjinho, sua pequena vai estar sempre aqui.
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