10 January 2010

Coisas sussurradas pelo travesseiro


Anos após anos construindo o muro e agora me ocorreu que tão intensamente montado: suor, sangue e sofrimento... Mágoas, dor. - algumas cicatrizes formaram-se para adornar.
Tanto trabalho árduo é em vão?
Subo a barreira cá do meu lado, espio do outro lado e me encanto - vem a culpa antecipada.
Jogo umas cordas do outro lado, me permito inundar - culpa durante - tenho então mais alicerce.
Eles vem, aluguel vil, mantêm-se o quanto querem, me rasgam, me amam, se cansam e partem.
Culpa pós encanto, ajudo-os a romper a muralha e só ficam o mosaico e meu olhar doentio, jamais satisfeito com a forma em que fora montado - devaneio, divagação e ilusão.
Que graça tem? Escalar, modificar, interferir, afetar casa e partir... - Decoradores de merda!
Alguns ainda ficam lá do cume, vangloriosos com o resultado, com a marca da besta talhada no fardo amadeirado de INRI, sorriem!
Há de ter prazer, subir, subir, encaixando suas mãos e pés nas feridas quase fechadas, nas que ainda sangram, nos sentimentos impregnados. Parece fascinante deixar sua própria assinatura sobre outras tantas, roubar o prestígio as avessas dos primeiros.
O muro parece inútil, mas se os diverte, continuo a alusão com minha segurança e mantenho-o.
E a roda não para de girar!

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